Quem sou eu? Charadas: Guessly
Comparado com o concorrente direto, o Guessly ganha em quase tudo o que se vê: menus limpos, ilustrações próprias, categorias arrumadas com bom gosto e uma contagem visualmente clara. Perde no único sítio onde um jogo de charadas se decide de verdade, que é o conteúdo das cartas.

Grelha de categorias, com ilustração própria para cada tema 
Ronda a decorrer, com a palavra em destaque e o tempo restante
Os primeiros minutos
A entrada é das mais agradáveis do catálogo. Não há ecrã de configuração inicial, não há pedido de conta e a primeira ronda começa a dois toques de distância: escolher categoria, tocar em começar. Em festas, isso conta mais do que qualquer funcionalidade avançada, porque ninguém quer explicar menus a sete pessoas.
As quarenta e oito categorias estão organizadas por temas visuais fáceis de reconhecer à distância, o que ajuda quando é outra pessoa a escolher com o telemóvel na mão.
A qualidade das listas
Aqui está o problema. Uma boa parte das categorias foi claramente construída num idioma e depois passada para português, e nota-se em três sintomas: palavras que ninguém usa em Portugal, expressões traduzidas ao pé da letra e referências internacionais que uma mesa portuguesa não consegue mimicar. Numa noite de jogo, três das cinco categorias experimentadas obrigaram a saltar cartas.
Há listas boas — animais, profissões, objetos, ações — e essas funcionam tão bem como as do concorrente. O problema é que só se descobre quais são depois de as jogar, e uma ronda estragada a meio de um jantar não se repete.
Volume de conteúdo
A ficha anuncia mais de seis mil e quinhentos desafios distribuídos pelas categorias. É bastante mais material do que qualquer grupo consome, mesmo jogando semanalmente durante um ano, e o volume tem uma consequência positiva: repetições dentro da mesma noite praticamente não acontecem.
Conforto e acessibilidade
A palavra aparece em letras grandes, com bom contraste, e lê-se sem esforço a dois ou três metros. O tempo restante fica visível numa barra em vez de números pequenos, o que é a decisão certa para um jogo que se lê de longe e de lado.
Falta uma opção de aumento de duração da ronda mais fina — as escolhas disponíveis são poucas — e falta também um modo sem movimento, para grupos onde alguém não consegue inclinar o aparelho com firmeza.
Veredito
Uma aplicação bonita com um problema editorial. Se o grupo tolerar saltar cartas de vez em quando, é uma escolha perfeitamente válida; se a noite tiver de correr bem à primeira, o CharadesApp é a escolha segura.
7,0nota editorial em 10, subjetiva e independente da Google Play
O que corre bem
- Entrada rápida: duas escolhas até à primeira ronda
- Apresentação cuidada e legível a vários metros
- Volume de cartas muito superior ao necessário
O que pesa contra
- Várias categorias com tradução literal e referências estrangeiras
- Não há forma de saber a qualidade de uma lista antes de a jogar
- Poucas opções de configuração da ronda