Tap Tile!
A promessa da ficha na loja é relaxamento: azulejos suaves, cores esbatidas, som discreto. A realidade é um dos jogos mais tensos deste catálogo, porque toda a experiência assenta numa bandeja com sete lugares que, quando enche, termina a partida sem cerimónia.

Pilha de azulejos e bandeja de sete espaços na parte inferior do ecrã 
Tabuleiro mais avançado, com peças sobrepostas em várias camadas
A mecânica em duas frases
Toca-se num azulejo e ele vai para a bandeja; três iguais desaparecem e libertam espaço. Como as peças estão empilhadas em camadas, escolher a errada significa ocupar um lugar com algo cuja segunda cópia está soterrada.
Toda a dificuldade nasce dessa aritmética simples. Não há relógio, não há adversário e não há forma de recuperar: a partida acaba quando os sete lugares estiverem ocupados por azulejos sem par à vista.
A tensão escondida
Os primeiros trinta níveis são um passeio e cumprem a promessa de calma. A partir daí, a quantidade de camadas cresce, os tipos de azulejo multiplicam-se e a bandeja começa a encher-se cedo. A mudança de tom acontece sem qualquer aviso: o mesmo jogo que servia para adormecer passa a exigir planeamento de cinco jogadas.
Quem gosta desse aperto vai considerar o Tap Tile! o melhor quebra-cabeças do catálogo. Quem instalou à procura de descontração vai sentir-se enganado por volta do nível quarenta.
Leitura no ecrã do telemóvel
Os desenhos dos azulejos são distintos entre si e mantêm-se legíveis mesmo com peças sobrepostas, o que é mérito considerável num jogo de camadas. As cores são pouco saturadas e o contraste entre peças semelhantes podia ser melhor, sobretudo nos tons pastel.
Em ecrãs pequenos, os tabuleiros de fim de nível ficam apertados e o toque acerta na peça errada com alguma frequência. Uma zona de ampliação resolveria isto; não existe.
Sem ligação à internet
Funciona por completo em modo de voo. Os níveis estão no aparelho, o progresso guarda-se localmente e a única coisa que falta sem rede são os eventos temporários — que, neste jogo, não fazem falta nenhuma.
O que sobra depois de um mês
Sobra um jogo com dificuldade suficiente para continuar interessante e curto o bastante para não ocupar a vida. É o título que mais recomendamos para pausas de três minutos, com uma condição: quem se irrita com derrotas súbitas deve procurar algo mais permissivo, como o Amaze GO!.
Veredito
O quebra-cabeças mais bem equilibrado do catálogo, desde que se ignore a descrição da loja. É tenso, é curto e é honesto nas regras — não perdoa, mas também nunca engana.
8,3nota editorial em 10, subjetiva e independente da Google Play
O que corre bem
- Mecânica clara em dez segundos, profunda ao fim de uma hora
- Funciona inteiro sem rede
- Níveis curtos, ideais para pausas
- Desenhos de azulejo bem diferenciados
O que pesa contra
- A promessa de calma não sobrevive ao nível quarenta
- Toque impreciso em ecrãs pequenos
- Contraste fraco entre alguns tons pastel