Crossword Master - Palavras
A ideia central deste jogo cabe numa frase e é boa: duas pessoas resolvem a mesma grelha, à vez, e cada uma soma pontos pelas palavras que colocou. Não há sabotagem nem tabuleiro roubado — há apenas a sensação constante de que alguém está a olhar para as mesmas pistas e a pensar mais depressa.

Grelha escandinava com a pista escrita dentro da própria célula 
Turnos alternados, com a pontuação dos dois jogadores no topo
Os primeiros minutos
O primeiro tabuleiro chega antes de qualquer tutorial longo: seleciona-se uma letra do monte, arrasta-se para a casa e a palavra confirma-se sozinha quando fica completa. Quem nunca viu uma grelha escandinava demora um par de minutos a perceber que a pista está impressa dentro do tabuleiro, numa célula sombreada, e que a seta indica a direção da resposta.
É um arranque limpo, sem ecrãs de boas-vindas encadeados. Ao fim de três grelhas já se percebeu tudo o que há para perceber sobre a mecânica, e o resto do tempo é gasto a jogar.
Jogar acompanhado
O adversário é o motor de tudo. Cada jogada dele preenche casas que também servem a quem está do outro lado, o que cria uma tensão estranha: convém que ele acerte, porque isso abre caminho, e convém que acerte devagar, porque a pontuação é dele. Esta ambiguidade é a melhor ideia do jogo e não existe em mais nenhum título de palavras do catálogo.
Nem sempre há gente disponível, e nesses casos o emparelhamento entrega um oponente automático com um ritmo previsível. Funciona, mas perde-se metade da graça — e é aí que o jogo se aproxima de qualquer outra aplicação de cruzadas.
Leitura no ecrã do telemóvel
As grelhas escandinavas são densas por natureza: o texto da pista tem de caber numa célula pequena. Em aparelhos de seis polegadas lê-se bem; em ecrãs mais pequenos, ou para quem já usa óculos para ler ao perto, a fonte fica no limite do aceitável. Há aproximação por gesto de dois dedos, o que resolve o problema sem elegância.
Algumas pistas são imagens em vez de texto, uma solução visual que arejar a grelha e evita a tradução — o que, num jogo internacional, também evita erros.
Curva de dificuldade
A subida é lenta e bastante bem calibrada. As primeiras dezenas de grelhas são quase automáticas para um adulto com vocabulário normal; a partir daí, entram palavras menos comuns e cruzamentos mais apertados, mas nunca se chega ao ponto de precisar de dicionário.
Contra a intuição, a dificuldade não vem das palavras: vem da gestão do monte de letras. Escolher qual usar primeiro, e em que casa, é o que separa uma grelha resolvida em três minutos de outra que fica encravada.
O que pode incomodar
A tradução é boa, mas não é irrepreensível: aparecem pistas com construções literais e, uma ou outra vez, uma resposta aceite que soa a português traduzido. Numa hora de jogo apanhámos três casos, todos compreensíveis pelo contexto.
O outro reparo é a insistência das notificações quando um adversário fica à espera do turno. É a contrapartida de um jogo desenhado à volta de partidas partilhadas; desligar as notificações resolve, com a consequência óbvia de deixar as grelhas paradas durante dias.
Veredito
Vale pela companhia, não pelas cruzadas. Quem jogar sozinho tem alternativas melhores no mesmo género; quem tiver alguém do outro lado encontra aqui a experiência de palavras mais interessante do catálogo.
7,6nota editorial em 10, subjetiva e independente da Google Play
O que corre bem
- A partilha da mesma grelha entre dois jogadores é uma ideia genuinamente original
- Arranque sem tutoriais longos
- Pistas em imagem arejam a grelha e evitam erros de tradução
- Progressão de dificuldade bem doseada
O que pesa contra
- Fonte no limite em ecrãs pequenos
- Sem adversário humano, a proposta esvazia-se
- Notificações insistentes por causa dos turnos